Baby É Cadelinha

Saturday, April 29, 2006

Cogito

eu sou como eu sou
pronome pessoal
intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou agora
sem velhos segredos dantes
nem novos secretos dentes
nesta hora

sou como sou presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

sou como sou vidente
e vivo traquilamente
todas as horas o fim

torquato neto

Wednesday, April 26, 2006


marina e bubu

Teu Nome

teu nome
não foi escrito na pedra
ou num altar sagrado
quando foste batizada
ou
fizeste primeira comunhão
teu nome
é uma profusão
de vidas profanas
foste isabel
sofia ou ana
rainha de espanha
ou de hollanda
imperatriz do além mar
agora reina
no carnaval desta avenida
e será por toda vida
a rainha do meu lar

artur gomes


didi - direto de joão pessoa

uma caneta pelo amor de Deus
uma máquina de escrever
um computador
nem que seja pós moderno
vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a Lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

artur gomes


foto: rita barreto

Marçal Tupã

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

artur gomes
in fulinaíma sax blues poesia


artur gomes

Eu Ouço Música

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.


MARIO QUINTANA
30/07/1906 05/05/1994


retalhos imortais do serAfim

Do Teu Sabor

O gosto da tua pele
sal impregnado em meus lábios
que me mata de sede
à beira da fonte dos teus prazeres.

O teu gosto na minha boca
mel que sacia meus desejos
na hora derradeira
do medo de te perder
em meio aos lençóis.

O teu cheiro impregnado
no meu corpo
perfume raro que nem a chuva
leva de mim...


® Ademir Antonio Bacca
* do livro “Pandorgas ao Vento”


mário pirata

Demanda

Sem que estejam lançados
os dados do imaginário,
todo e qualquer sistema
político é ineficiente
e precário.

mário pirata

Tuesday, April 25, 2006


clauky saba - movimento inverso

Poema aos homens do nosso tempo

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo
Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.

Hilda Hilst


pina e sofia

Sete Poemas Portugueses

7

Neste leito de ausência em que me esqueço
desperta o longo rio solitário:
se ele cresce de mim, se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.

O rio corre e vai sem ter começo
nem foz, e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço.

Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho – o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.

Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.

ferreira gullar


carol linda soares nascimento

Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena

Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena

como é azul o oceano
e a lagoa, serena

como um tempo de alegria
por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena

– sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.

ferreira gullar


gravura - manoela afonso

Carne Proibida

o preço atual
proíbe que me coma
mas pra ti
estou de graça
pra ti não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti:
músculo & osso
leva-me à boca
e completa o teu almoço

artur gomes
in fulinaíma sax blues poesia

A Cor da Pele

áfrica soul raíz & raça
orgia pagã na pele do poema
couro em chagas que me sangra
alma satã na carne de ipanema

o negro na pele é só pirraça
de branco na cara do sistema
no fundo é amor que dou de graça
dou mais do que moça no cinema.

Artur Gomes


fil buc

Viagem Tropical

ah meu amor
que maravilha!
apesar dessa quadrilha
tudo aqui
vai muito bem
tudo aqui
vai nada mal
ainda estamos em Brasilha
ou isto aqui
já é novo Pantanal?

federico baudelaire
in viagens insanas

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thaís linda nascimento

Movimento InVerso

"Tem que acontecer alguma coisa, meu bem
parado é que não dá pra ficar."
Raul Seixas

SabaSauers apresentam: Movimento inVerso
sexta, 14 de abril - 20h - $5,00
Subam a bordo da palavra e venham experimentar, fazer e respirar a arte.
Um espaço aberto às múltiplas manifestações artísticas.
Tragam seu talento e sejam bem-vindos!
Poesia, música, teatro e tudo mais!
Tony Pelosi e suas composições maravilhosas
João Pedro Roriz com sua Poesia Teatral
Guilherme Scarpa e Leila Barreto em 'Atrás da Porta'
UNS e sua música cenográfica

E muitas outras surpresas!

Barteliê
R. Vinicius de Moraes, 190 - apto 03
Ipanema (esquina com Nascimento Silva